O crescimento da população
humana e da industrialização mundial determinaram
um aumento, sem precedentes, na contaminação
do ar, originando diversos efeitos prejudiciais nos ecossistemas
e na saúde humana, sendo um dos fatores que provocam
diversas doenças, como o câncer, maiores taxas
de mortalidade infantil (Ruiz et al. 1992, Ma 1995), desenvolvimento
de infecções respiratórias, asma, alergias,
complicações cardiovasculares e mutações
genética em humanos (Brauer et al. 2002; Brunekreef
et al. 2002; Pereira, et al. 2002).
O Brasil apresenta hoje graves problemas de poluição
atmosférica e a gênese desses problemas reside
em grande parte na política industrial que tem sido
adotada para o desenvolvimento do País. Teoricamente,
a Legislação Ambiental Brasileira é uma
das mais completas do mundo, entretanto, com relação
à poluição do ar é ainda bastante
deficiente, sobretudo, quanto à definição
e regulamentação das emissões atmosféricas
(Orsini, 1994). Neste contexto, pouco tem sido feito para
evitar os efeitos dessas emissões sobre o meio ambiente,
levando muitas vezes a uma completa devastação
nas imediações de parques industriais.
Poluentes
atmosféricos, como o dióxido de enxofre (SO2)
óxidos de nitrogênio (NOx), hidrocarbonetos e
o ozônio (O3), podem atuar nas células do seres
vivos como agentes mutagênicos (Fishbein, 1976 apud
Grant, 1998).
O
dióxido de enxofre é um gás que tem um
odor pungente em altas concentrações. É
produzido pela queima de combustíveis fósseis
tais como carvão e petróleo. É também
resultante de vários processos industriais. Uma vez
liberado na atmosfera, é transformado em trióxido
de enxofre e posteriormente em ácido sulfúrico
e sulfato particulado na taxa de 1% por hora. Devido a sua
alta solubilidade, age diretamente sobre as membranas mucosas
dos olhos e trato respiratório. Pessoas asmáticas
são consideradas de alto risco.
A
concentração de ozônio na atmosfera tem
crescido ao longo dos anos, especialmente nos grandes centros
urbanos, onde os reflexos do desenvolvimento industrial tornam-se
mais evidentes. O padrão diário do ozônio
presente no ar das cidades de grande porte, mostra que nas
primeiras horas da manhã, a emissão de óxido
nítrico (NO) e de hidrocarbonetos é alta em
função do intenso tráfego de carros durante
as horas de pico. À noite, o nível cai por conta
da redução da quebra do NO2 e da emissão
do NO. Fatores como alta umidade relativa do ar e ausência
de ventos concorrem para o agravamento da situação,
uma vez que favorecem a formação de uma camada
estacionária de ozônio, à qual estão
sujeitos todos os organismos vivos, independente do grau de
organização.
O
Ozônio presente na atmosfera é produzido primariamente
das descargas elétricas, a partir de reações
químicas causadas pela luz solar ou radiação.
Entretanto esse componente é gerado também a
partir das atividades humanas. Já o material particulado
é um conglomerado de substâncias quimicamente
heterogêneas emitidas pelos veículos, indústrias,
construção civil, queimadas, cigarro, etc. que
além de provocar problemas de saúde em humanos,
provoca sérias injúrias na vegetação.
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